terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Gran Torino

Clint Eastwood fez filmes que vão marcar a história do cinema para sempre. É por isso que ele é visto como a maior lenda viva do cinema, hoje em dia. Porque Clint Eastwood é o que um realizador, por definição, deve ser: Um contador de histórias. Depois de marcar para sempre os Westerns como o seu "Homem Sem Nome" e o seu Dirty Harry, ele tentou a realização. Em 1973 com High Plains Difter, para ser mais concreto. A partir daí surgiram filmes como Imperdoável, pelo qual levou dois Óscares para casa, As Pontes Sobre Madison County, Meia Noite no Jardim do Bem e do Mal, Mystic River, Letters From Iwo Jima, Million Dollar Baby, pelo qual levou mais dois óscares para casa e, agora, Gran Torino. A semelhança entre todos eles é que são todos clássicos instantaneos. E clássicos absolutos. Não é necessário gostar de filmes para se gostar de filmes de Clint Eastwood. Podem pegar numa pessoa que nunca tenha ido ao cinema (se é que existe uma) e mostrar-lhe um dos filmes acima mencionados. Essa pessoa, quando sair da sala, vai-se lembrar de tudo o que se passou na história como se alguém estivesse a lê-la em vez de se estar a passar numa tela. É essa a magia que Clint Eastwood faz. Conta cada história como se a última história que ele quisesse contar na sua vida. E apesar dos seus 79 anos (salvo erro), espero que ainda tenha muitas para contar.

Em relação a esta história em particular, Gran Torino, é a mesma fórmula de Million Dollar Baby. Sem tirar nem pôr. Um homem durão e céptico encontra alegria numa pessoa pela qual inicialmente não mexia um dedo. Em Million Dollar Baby essa pessoa é Hillary Swank. Em Gran Torino é Thao (estreante Bee Vang). A fotografia e a banda sonora são também similares (ambiente mais escuro em Million Dollar, ainda assim). No entanto, nada é repetido. Nada é igual. O filme conta a história de Walt Kowalski (intrepertado uma vez mais de forma absolutamente brilhante por Eastwood), um veterano Americano da Segunda Grande Guerra que vive num bairro dominado por gangs de diferentes etnias. Um dia, uma família de cultura Hmong, asiática portanto, muda-se para a casa ao lado da sua. Toda esta cultura entra em confronto com a de Walt, amante de armas, destemido em relação a tudo, conservador. Um dia, um gang leva Thao, o membro mais novo da familía, e, como modo de iniciação para entrar no gang, fazem-no tentar roubar o Gran Torino de Walt, um carro de 1972 que o próprio ajudou a construir. A tentativa falha e, como compensação e, para não desonrar a sua familía, Thao oferece-se para ajudar Walt em várias tarefas domésticas. Walt começa assim a fazer amizade com o rapaz e com toda a vizinhança asiática. E embora me apetecesse contar tudo o que se passa de seguida, vou deixar-vos aperciar cada fala e cada momento deste filme brilhante.

O elenco, tirando Eastwood, é praticamente desconhecido. Se em Million Dollar Baby Eastwood aposta em dois monstros do cinema como Hillary Swank e Morgan Freeman, aqui ele aposta em dois estreantes. Ahney Her, agradável surpresa e Bee Vang que não está nada de especial, embora pela sua relativa juventude se possa esperar algo mais até porque o mestre Eastwood não faz coisas à toa. O já mais conhecido Christopher Carley (Lions for Lambs) também entra no elenco com um bom papel. Destaque para a banda sonora composta por Kyle Eastwood (filho de Clint) e para a fotografia brilhante de Tom Stern, o mesmo de Million Dollar Baby.

Mais um filme brilhante em todos os aspectos de Clint Eastwood. Segue-se The Human Factor a estrear daqui a um ano para o qual já estão confirmados Matt Damon e o repetente Morgan Freeman. Também quase a estrear estará Changeling (8 de Janeiro) com Angelina Jolie no papel principal pelo qual tem tido algumas nomeações (incluindo o Globo de Ouro). O filme foi nomeado para a Palma de Ouro do Festival de Cannes.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

The Curious Case of Benjamin Button

Vem aí o provável arrebatador dos Óscares deste ano, uma vez que "The Dark Knight" parece estar a perder força como principal concorrente (embora ainda tenha, concerteza, uma palavra a dizer). Brad Pitt parece, finalmente, um quase certo candidato a ganhar o principal galardão do mundo do cinema, e bem que já merece o reconhecimento pela parte da Academia.

O filme conta a história fantástica de um homem, Benjamin Button (Pitt naquele que parece ser o papel da sua vida, mandando-se de cabeça para a consagração) que nasce velho. Sim. Ele nasce velho. E à medida que deveria "envelhecer", ele fica mais novo. Sim, é estranho mas é verdade. O filme mistura drama (muito, provavelmente) com fantasia. Enquanto fica mais novo, ou seja, enquanto "envelhece", vai vivendo a sua vida o mais normalmente que pode. Não quero estragar nada com spoilers por isso deixo-vos ver o resto. A única nota aqui a reter é que Brad Pitt avança fortemente para um dos melhores papéis de sempre e que o filme conta também com Cate Blanchett. Sim. Ela. Sim. Ela e Brad Pitt. A realização conta com David Fincher, realizador de "Se7en" e "Fight Club". Sim. Não sei que mais dizer a não ser: get ready to be blown away.

O principal favorito até ao momento pela crítica que já viu o filme e, em boa vedade, seria preciso uma grande obra de arte para o tirar do trono. "Milk" (com Sean Penn e um Josh Brolin muito capaz de tirar o Óscar da mã o de Heath Ledger) avança também em força. Dark Knight parece assim perder-se no meio de tanta qualidade. Mas nunca se sabe. Será um taco a taco entre Milk e Dark Knight, uma vez que o filme de Fincher parece levar um avanço demasiado grande. Vamos esperar pelos outros possíeveis nomeados (e pelo circuito, ainda são uns quantos).

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

"Son of Rambow" e o cinema em Portugal

Eis o filme do ano (até agora) segundo este estimado, maravilhoso e ausente (peço desculpa) blog.

Ainda não sei se este filme estará disponível em Portugal mas por enquanto não tem data de estreia marcada (nem distribuidores) e, já tendo estreado em Abril (dia 4) no Reino Unido, é de esperar que o filho de Rambo(w) não passe por terras Lusitanas para destruir tudo à sua volta. Assim sendo, já nem é um "bocado" vergonhoso. É muito vergonhoso quando as distribuidoras nacionais estão preocupadas em trazer ao seu publico filmes como "O Crepúsculo", "Saw V", "The Happening" e "Max Payne" e rejeitam um filme que (falo por mim) relembra que qualquer um pode fazer um grande filme com poucos recursos. Porque isso, cinéfilos leitores, é a magia do cinema. Não é por um filme custar milhões de euros que vale a pena ser visto. Se forem milhões de euros bem gastos, tudo bem. Mas todos os exemplos que dei acima custaram realmente milhões de euros cada um e são, desculpem-me os fãs dos ditos filmes, autenticos pedaços de lixo. "Saw V" e "Max Payne" são, obviamente, franchises e, como tal, não podem ser rejeitados pelas distribuidoras (se bem que em ambos os casos nada de nada se perdia. A única coisa que ganhei com "Max Payne" foi uma vontade enorme de partir os CD's do jogo) mas podiam perfeitamente reduzir o número de salas em que estrearam. Pouca gente os viu, de qualquer maneira, tirando "O Crepúsculo", bem sucedido na América (outro público de fast-food convertido ao cinema). E assim, reduzindo número de salas podiam, sei lá... Angariar dinheiro para trazer os filmes verdadeiros a Portugal, como este! Não se pode dar mais a desculpa do lucro porque, admitamos, ele já não existe. Ao passo que se trouxessem filmes destes, gastava-se MUITO menos em direitos, MUITO menos em distribuição e, assim, talvez o LUCRO fosse MAIOR. Iriam menos pessoas ver o filme? Talvez, mas não muitas menos, pelo andar da coisa.

"Son of Rambow" passa-se em Inglaterra, no início da década de 80 e é a história de duas crianças: Lee Carter, um rufia com coração e Will, um rapaz cuja família tenta aprisionar em regras, religião e ordem. A religião da família de Will não o permite ver TV pelo que o rapaz nunca teve a experiencia de ver um filme. Um dia, Lee Carter, que filma os filmes no cinema com uma câmera de mão para vender, mostra-lhe a sua última aquisição: "Rambo - First Blood". Sim! O primeiro filme da saga de John Rambo é o primeiro filme que Will vê. Resultado: Will torna-se no filho de Rambo. Forma então uma história na sua cabeça, escreve-a na Bíblia (uma bela BD, se o posso dizer) e, juntamente com Lee Carter, filma a história para uma disciplina. No entanto, toda a escola começa a notar neles e, às tantas, o filme já conta com um elenco de criançada. O resto, deixo-vos ver, se conseguirem.

Este é, sem dúvida, o género de filmes, feitos com o coração (e muito, muito esforço) que, pessoalmente, me fazem QUERER ver filmes sem sentir que os TENHO de ver. Porque é assim que as coisas são. Hoje em dia, há a política do TENHO que ver este filme e não do QUERO ver este filme. Obviamente que não falo de toda a gente (ou falo?) mas a razão pela qual filmes como o "Crepúsculo" são bem sucedidos é simplesmente porque as pessoas vêm um trailer com um vampiro e um efeitozito digital bem feito e dizem "tenho que ver isto". Não o QUEREM ver, porque nem sabem, em maior parte dos casos, o que raio conta o filme. Mas ei! Tem vampiros, tem espectadores. Tem porrada, tem espectadores. "Son of Rambow", corre o risco de ser um novo "Hot Fuzz", que só estreou em Portugal porque o grande Nuno Markl pôs um pé à frente e, em nome do cinema, organizou todo um movimento de fãs que permitiram umas duas ou três exibições em Portugal. E não, não digo duas ou três como "forma de expressão". Foram, literalmente, umas duas ou três. Filmes como "Hott Fuzz" e "Shaun of the Dead" são maus? Não... São simplesmente geniais. Mas isso já não parece querer dizer nada. Não são as produtoras que estão erradas, elas fazem o possível para lucrar. Mas se nós vissemos filmes bons, elas provavelmente faziam filmes bons. É só uma opinião.

Tenho a certeza que metade de vocês não vai querer saber do filme e que metade dos que querem ver, não vão tentar. E metade dos que vão tentar, não vão conseguir (e sem culpa nenhuma). Porque é preciso querer ver. Não só esperar sentados que ele se mostre porque, meus amigos, hoje em dia, isso não serve de nada.