Argumento: Steve Conrad.
Actores: Nicolas Cage, Michael Caine e Hope Davis.
Para contrariar um bocado o só escrever filmes nas estreias (ou perto delas), escrevo agora sobre um filme que acabo de ver na TVI (uma das muito raras vezes que a TVI dá filmes de jeito e parece que amanhâ vão dar o Casino Royal!).The Weather Man é um filme que, pessoalmente, me agradou muito. Muito mesmo. No entanto, a primeira coisa que o filme me lembra é Lost in Translation. E diga-se que Lost in Translation é um dos meus all-timers. Digo que me lembra porque não me parece, de todo, um filme que agrade, desde já, a todos os espectadores. Na verdade, em relação a Lost in Translation, conheço mais pessoas que pura e simplesmente odeiam o filme do que gostam. E quase que posso compreender porque é um filme parado em que não se passa (ou não se parece passar) muito. O que, nos dias de hoje, é um suícidio em termos de render nas salas de cinema. No entanto, parece-me que são estes filmes que, hoje em dia, valem o dinheiro que se gasta a fazê-los pois é neste tipo de filmes que paramos, olhamos para o ecrán e pensamos "ah, cinema!" e não "cá esta o Vin Diesel a esmagar mais um crânio" (com todo o respeito pelo Vin Diesel).
Este é um filme que, não sendo um feito artístico por aí além, é um filme que nos faz pensar na vida, muito por causa do personagem principal: Dave Spitzer. Garanto que não me relacionava com um personagem desta maneira há muito tempo. Faz-nos ter pena dele (o sentimento predominantes, diria eu), rir dele (o segundo), simpatizar com ele e raramente, espero eu, identificar com ele. Passo a explicar.
Dave Spitzer, intrepertado por Nicolas Cage, é um "homem do tempo". Não chega sequer a ser um meteorologista, mas sim alguém que fala por eles nas notícias, decerto que estarão a ver o conceito, basta ver um telejornal normal. Mas a vida de Spitzer, tirando o salário confortável de que aufere, está de cabeça para baixo. A ex-mulher está prestes a casar com outro homem, o seu filho é perseguido por um pedófilo, a sua filha é obesa e não parece ter a mínima vontade de estar viva e o seu pai (brilhante, brilhante Michael Caine), em escritor muito famoso, prémio Pulitzer aos 32 anos, está a morrer. E isto são apenas os factos constantes da sua vida, porque ainda há os bónus como levar com bocados da mais variada fast-food na rua, cortesia de espectadores insatisfeitos, não conseguir realizar nada de importante na sua vida e coisas que tais. David tenta então distrair-se fazendo-se acompanhar da filha, chateando a ex-mulher e tendo aulas de tiro com arco, modalidade da qual vai ficando muito bom. Até que um dia surge uma opurtunidade de ser o "homem do tempo" no prorama "Hello America", transmitido a nível nacional. David pensa então que se conseguir esse trabalho e beneficiar do 1.2 Milhões de dólares de salário, a sua ex-mulher voltará para ele, os filhos vêm atrás e o pai terá finalmente orgulho nele. E é através de pequenos passos em frente e pequenos passos atrás que a sua vida vai fazendo sentido. Não bom sentido, mas sentido. A moral da história passa por ser que é bom sonhar mas não muito alto porque, por cada sonho que tivermos, a vida parece querer pregar-nos uma partida. Interessa é a maneira como se encara as adversidades. David escolheu ser um arqueiro em Nova Iorque.
Falando de crítica, não sou lá grande fã de Nicolas Cage. Gostei muito da sua interpertação em Morrer em Las Vegas, mas também, quem não gostou? Depois, em Inadaptado voltou a mostrar boas credenciais de actor. Tem mais uns bons filmes, sim mas é nas escolhas de carreira que ele não parece ser grande coisa. Os últimos filmes que fez como, Ghost Rider (...) ou Wicker Man (......), são coisas inexplicáveis e absurdas. Filmes tão maus que não se deviam tolerar a um homem na sua posição. Mas enfim. Falando em Weather Man, Cage está muito bom. Muito bom mesmo. Agradável, cómico, cabisbaixo, raivoso, tudo a seu tempo. O actor consegue aqui mostrar várias faces, todas muito bem postas nas diversas partes do filme que quase merecia ser separado por capítulos, tais não são a mudanças de humor e ambiente que vão decorrendo. Uma das melhores intrepertações de Cage. Caine é a estrela do filme. Parece que faz qualquer papel da maneira mais fácil e, no entanto, da maneira mais perfeita. Um actor de renome, um dos melhores de sempre, sem dúvida nenhuma. Em suma, todo o conjunto de actores é muito bom mas destaco então Cage e Caine. Especialmente juntos, fazem uma grande dupla. Para o cómico e para o triste. Para o moralizador e para o existencial (as dúvidas de Caine acerca do mundo e juventude actual são sublimes).O argumento de Steve Conrad é muito bom e tem o mérito de ser basicamente apenas sobre um homem. Não há nenhum objectivo, nenhuma aventura ou tesouro para descobrir, não há nenhum relacionamento do personagem em especial em que se basear, nada. Há só Dave Spitzer em Chicado e Nova Iorque e pouco mais. Argumento fluído e muto agradável.
A realização de Verbinski é o seu melhor trabalho. Apenas seguido de Piratas das Caraíbas e, em termos de realização, a milhas de distância. Verbinski, que já desiludiu muito boa gente com o último Piratas das Caraíbas e The Ring, mostra aqui um filme completamente diferente de tudo o que fez antes. E melhor também. Destaque para o modo como manuseia os cenários, maioritariamente brancos, dirige o seu personagem principal e filma, de maneira convincente, cada uma das cenas, sabendo adaptar-se muito bem a cada momento específico.
Para finalizar, destaco ainda a banda sonora do Deus Hans Zimmer, hoje em dia apenas ultrapassado por John Williams, e esse é só o melhor compositor (para cinema) de sempre, a a par com Ennio Morricone. Muito boa esta partitura de Zimmer.
Faltou apenas uma publicidade melhorzinha para este filme, especialmente no nosso país onde nem tenho a certeza de ter sido exibido (ou convenientemente, pelo menos). Foi, na minha opinião (vale o que vale) um dos melhores filmes de 2005. E recomendo vivamente a todos os que se queiram surpreender pela positiva.







