segunda-feira, 25 de agosto de 2008

The Weather Man

Realizador: Gore Verbinski.
Argumento: Steve Conrad.
Actores: Nicolas Cage, Michael Caine e Hope Davis.

Para contrariar um bocado o só escrever filmes nas estreias (ou perto delas), escrevo agora sobre um filme que acabo de ver na TVI (uma das muito raras vezes que a TVI dá filmes de jeito e parece que amanhâ vão dar o Casino Royal!).
The Weather Man é um filme que, pessoalmente, me agradou muito. Muito mesmo. No entanto, a primeira coisa que o filme me lembra é Lost in Translation. E diga-se que Lost in Translation é um dos meus all-timers. Digo que me lembra porque não me parece, de todo, um filme que agrade, desde já, a todos os espectadores. Na verdade, em relação a Lost in Translation, conheço mais pessoas que pura e simplesmente odeiam o filme do que gostam. E quase que posso compreender porque é um filme parado em que não se passa (ou não se parece passar) muito. O que, nos dias de hoje, é um suícidio em termos de render nas salas de cinema. No entanto, parece-me que são estes filmes que, hoje em dia, valem o dinheiro que se gasta a fazê-los pois é neste tipo de filmes que paramos, olhamos para o ecrán e pensamos "ah, cinema!" e não "cá esta o Vin Diesel a esmagar mais um crânio" (com todo o respeito pelo Vin Diesel).
Este é um filme que, não sendo um feito artístico por aí além, é um filme que nos faz pensar na vida, muito por causa do personagem principal: Dave Spitzer. Garanto que não me relacionava com um personagem desta maneira há muito tempo. Faz-nos ter pena dele (o sentimento predominantes, diria eu), rir dele (o segundo), simpatizar com ele e raramente, espero eu, identificar com ele. Passo a explicar.

Dave Spitzer, intrepertado por Nicolas Cage, é um "homem do tempo". Não chega sequer a ser um meteorologista, mas sim alguém que fala por eles nas notícias, decerto que estarão a ver o conceito, basta ver um telejornal normal. Mas a vida de Spitzer, tirando o salário confortável de que aufere, está de cabeça para baixo. A ex-mulher está prestes a casar com outro homem, o seu filho é perseguido por um pedófilo, a sua filha é obesa e não parece ter a mínima vontade de estar viva e o seu pai (brilhante, brilhante Michael Caine), em escritor muito famoso, prémio Pulitzer aos 32 anos, está a morrer. E isto são apenas os factos constantes da sua vida, porque ainda há os bónus como levar com bocados da mais variada fast-food na rua, cortesia de espectadores insatisfeitos, não conseguir realizar nada de importante na sua vida e coisas que tais. David tenta então distrair-se fazendo-se acompanhar da filha, chateando a ex-mulher e tendo aulas de tiro com arco, modalidade da qual vai ficando muito bom. Até que um dia surge uma opurtunidade de ser o "homem do tempo" no prorama "Hello America", transmitido a nível nacional. David pensa então que se conseguir esse trabalho e beneficiar do 1.2 Milhões de dólares de salário, a sua ex-mulher voltará para ele, os filhos vêm atrás e o pai terá finalmente orgulho nele. E é através de pequenos passos em frente e pequenos passos atrás que a sua vida vai fazendo sentido. Não bom sentido, mas sentido. A moral da história passa por ser que é bom sonhar mas não muito alto porque, por cada sonho que tivermos, a vida parece querer pregar-nos uma partida. Interessa é a maneira como se encara as adversidades. David escolheu ser um arqueiro em Nova Iorque.

Falando de crítica, não sou lá grande fã de Nicolas Cage. Gostei muito da sua interpertação em Morrer em Las Vegas, mas também, quem não gostou? Depois, em Inadaptado voltou a mostrar boas credenciais de actor. Tem mais uns bons filmes, sim mas é nas escolhas de carreira que ele não parece ser grande coisa. Os últimos filmes que fez como, Ghost Rider (...) ou Wicker Man (......), são coisas inexplicáveis e absurdas. Filmes tão maus que não se deviam tolerar a um homem na sua posição. Mas enfim. Falando em Weather Man, Cage está muito bom. Muito bom mesmo. Agradável, cómico, cabisbaixo, raivoso, tudo a seu tempo. O actor consegue aqui mostrar várias faces, todas muito bem postas nas diversas partes do filme que quase merecia ser separado por capítulos, tais não são a mudanças de humor e ambiente que vão decorrendo. Uma das melhores intrepertações de Cage. Caine é a estrela do filme. Parece que faz qualquer papel da maneira mais fácil e, no entanto, da maneira mais perfeita. Um actor de renome, um dos melhores de sempre, sem dúvida nenhuma. Em suma, todo o conjunto de actores é muito bom mas destaco então Cage e Caine. Especialmente juntos, fazem uma grande dupla. Para o cómico e para o triste. Para o moralizador e para o existencial (as dúvidas de Caine acerca do mundo e juventude actual são sublimes).
O argumento de Steve Conrad é muito bom e tem o mérito de ser basicamente apenas sobre um homem. Não há nenhum objectivo, nenhuma aventura ou tesouro para descobrir, não há nenhum relacionamento do personagem em especial em que se basear, nada. Há só Dave Spitzer em Chicado e Nova Iorque e pouco mais. Argumento fluído e muto agradável.
A realização de Verbinski é o seu melhor trabalho. Apenas seguido de Piratas das Caraíbas e, em termos de realização, a milhas de distância. Verbinski, que já desiludiu muito boa gente com o último Piratas das Caraíbas e The Ring, mostra aqui um filme completamente diferente de tudo o que fez antes. E melhor também. Destaque para o modo como manuseia os cenários, maioritariamente brancos, dirige o seu personagem principal e filma, de maneira convincente, cada uma das cenas, sabendo adaptar-se muito bem a cada momento específico.
Para finalizar, destaco ainda a banda sonora do Deus Hans Zimmer, hoje em dia apenas ultrapassado por John Williams, e esse é só o melhor compositor (para cinema) de sempre, a a par com Ennio Morricone. Muito boa esta partitura de Zimmer.

Faltou apenas uma publicidade melhorzinha para este filme, especialmente no nosso país onde nem tenho a certeza de ter sido exibido (ou convenientemente, pelo menos). Foi, na minha opinião (vale o que vale) um dos melhores filmes de 2005. E recomendo vivamente a todos os que se queiram surpreender pela positiva.

sábado, 23 de agosto de 2008

X-Files - Quero Acreditar

Realizador: Chris Carter.
Argumento: Chris Carter e Frank Spotnitz.
Actores: David Duchovny, Gillian Anderson, Amanda Peet, Xzibit e Billy Connelly.

Antes de mais nada, não confundir a série "X-Files" com este filme. Não têm nada a ver. Não há nada de paranormal, extra-terrestre ou inexplicável neste filme. Há o mórbido, o estranho e o aborrecido mas não há mais que isso. Da série apenas restam os personagens e, mesmo desses já só há o nome. Porque os personagens mudaram muito e a equipa "Mulder e Scully" desapareceu. Aliás, Scully só entra neste filme para dar minutos de pelicula porque senão o filme tinha uma meia-hora. Então lá se arranjaram uns diálogozitos à senhora e uns dramazitos.

Na história, nem Mulder nem Scully pertencem ao FBI. Mulder é um proscrito e Scully é uma médica num hóspital dirigido por padres. No início do filme, Scully é contactada por um agente do FBI intrepertado, nada mais, nada menos, que por Xzibit. Sim, o rapper. Sim, do Pimp My Ride. E acho que deste personagem se disse tudo.
Xzibit contacta Scully (Gillian Anderson em piloto automático) para encontrar Mulder (David Duchovny em... piloto automático), detective proscrito e banido do FBI. A agencia procura-o porque precisa da sua ajuda no caso de uma detective desaparecida. OS detectives serão ajudados por um antigo padre, banido por pedofilia (Billy Connelly) que afirma ter visões da agente raptada. Em troca, o FBI esquecerá os "conflitos" entre ambos (FBI e Mulder). O caso, em si, é banal, usado e demasiado, mesmo demasiado visto em filmes do género e, a meio do filme o espectador já só quer que o filme acabe para dizer "eu sabia". As intrepertações são fraquinhas de quase todas as partes mas não por culpa dos actores. O argumento não dá para muito mais e a realização não arrisca nada de nada. Não é má, não é boa, não se nota e não se faz por notar. A banda sonora tem momentos bons e momentos de grande monotonia. Até o famoso tema só aparece no início, uma vez durante o filme em si (na melhor parte do filme, fazendo uma referencia muito boa ao presidente George W. Bush porque ele, de facto, não é deste planeta) e em versão remix no final.

Não sou capaz de dizer muito mais sobre o filme porque, sinceramente, não desperta nenhum interesse. É pena estragar o muito bom nome da série com dois filmes medianos, a roçar o ridículo. Pode ser que não se volte a tocar no assunto.

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

O que é feito de Peter Jackson?

Peter Jackson, um dos homens mais poderosos do cinema actualmente, não tem estado parado. Embora não se veja nada de novo da sua parte à uns tempos (desde o acima da média King Kong), Peter Jackson não deve ter tempo para respirar no meio de trabalho. Após a praticamente oficial (faltam acertar certas partes do caché que, diga-se, é enorme) confirmação da sua participação em Temeraire, Jackson cofirmou ainda a produção de The Hobbit e District 9, e a realização de The Lovely Bones e, provavelmente o seu mais entusiasmante projecto, Halo. Comecemos por Temeraire.

Temeraire é uma série de livros (ao estilo de O Senhor dos Anéis) acerca de um exército de dragões na era Napoleónica. Peter Jackson deverá ter à sua responsabilidade a realização de uma triologia, adaptando portanto, os três primeiros livros: "His Magesty's Dragon", "Throne of Jade" e "Black Powder War". No entanto, a saga vai já em cinco volumes, acrescentando: "Empire of Ivory" e "Victory of Eagles". Não parecendo uma ideia muito convicente (eu próprio estou um pouco céptico em relação à ideia), a verdade é que a saga é um brutal conjunto de best-sellers nos Estados Unidos.

Depois de Temeraire, vem o projecto mais antecipado pelos fãs de O Senhos dos Anéis: The Hobbit. Embora não vá realizar o filme, Peter Jackson tranquilizou todos os fãs da saga ao assumir a produção, ou seja, a visão da Terra Média manter-se-à. O bom disto é a mudança de realizador que, não querendo minimizar Peter Jackson, passar a um senhor maior da realização de filmes fantásticos. É certo que Jackson, com O Senhor dos Anéis, reservou o seu lugar como um dos melhores realizadores do seu tempo, mas passando o testemunho a Gillermo del Toro, estará a assegurar uma realização perfeita e muito visionária no que toca ao ambiente (que se prevê mais escuro e pesado) da Terra Média. Também se espera ver em acção a fabulosa capacidade de criação de personagens de del Toro. The Hobbit tem estreia marcada para 2011 (primeiro volume) e 2012 (segundo volume).

District 9 conta também com a produção do senhor Jackson e com a realização de Neill Blomkamp, que se estreia na realização, após ter sido animador 3D em Stargate, Dark Angel e Smallville. Não se conhece nada sobre a história, apenas que foi escrita pelo próprio Blomkamp e que tem estreia marcada para 19 de Agosto de 2009.

Para finalizar este "especial" sobre Peter Jackson, falemos do projecto que, pelo menos na minha opinião, é o mais entusiasmante: Halo. Halo, como talvez muitos saibam, é um popular jogo de X-Box, sendo, para muitos, o melhor jogo de sempre do género.

Halo é um mundo em forma de anel onde se despenha uma equipa militar Americana. Passada num futuro distante, a história conta a forma como essa equipa tenta fugir do planeta à medida que se vai deparando com coisas muito estranhas, incluindo a presença de uma raça alienígena, os Covenant, que procuram o genocídio humano do universo. A equipa conta com o capitão e os seus militares sobreviventes e, claro, com o mítico robot John-117 Master Chief.
Ainda não há certezas sobre se Jackson realizará, ou produzirá, mas aponta-se para a segunda hipótese, uma vez que já foram produzidas três pequenas curtas-metragens sobre Halo, que se baseiam-se em factos do jogo e breves antecipações do filme e serviram como modo de lançamento do jogo Halo2. Essas crutas são produzidas por Jackson e realizadas mais uma vez por Blomkamp e têm muito bom aspecto. Na mais circulada vêm-se dois ex-combatentes, que sobreviveram ao desastre no planeta Halo relembrando o que se passou e falando das suas antigas armas. Só para se ter noção do dinheiro envolvido no projecto, o argumento custou qualquer coisa como 10 milhões de dólares.

Pela história, o filme assemelha-se um pouco a Alien, o que não é, de todo, uma coisa má.

Só para finalizar, Mike Newell (de Harry Potter e o Cálice de Fogo para a frente) realizará Prince of Persia: The Sands of Time. Jake Gyllenhaall será o Príncepe Dastan num elenco que conta ainda com Gemma Artenton, Ben Kingsley e Alfred Molina. Promete. Estreia 28 de Maio de 2010.

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Get Smart

Realizador: Peter Segal.
Argumento: Tom J. Astle e Matt Ember.
Actores: Steve Carrell, Anne Hathaway, Alan Arkin, Dwayne Johnson e Terrence Stamp.

Get Smart é um mau filme. Ponto. Cinematográficamente é horrível. Quem for ver o filme, se reparar na última sequência de acção, verá uma das piores coisas do cinema dos últimos anos. Mal filmado, mal montado e mal encenado. Horrível.

No entanto, Get Smart é um óptimo franchise e o filme aproveita muito bem mesmo a "marca" da série. Steve Carrell é um casting perfeito, cabendo muito bem na personagem e Maxwell Smart. Anne Hathaway é uma actriz secundária muito boa, tal como Dwayne Johnson que, mais do que actuar, transmite presença e carisma (porque actuar não é lá muito com ele). Alan Arkin é... Alan Arkin, um senhor do cinema e do teatro. E há outros, como Masi Oka, Nate Torrence e James Caan que não deixam ficar mal qualquer realizador. No entanto, em termos de actores secundários, o bom está nas pequenas surpresas que nos vão surgindo: Larry Miller (!), Bill Murray (!!) e Kevin Nealon (!!!!!!) são algumas caras conhecidas que fazem o favor de nos distrair das inúmeras falhas de produção do filme. Destaco, no entanto, o muito bom argumento. E as muito bem feitas cenas nonsense e de humor inesperado, sendo, pelos vistos, a única coisa que Peter Segal soube fazer como deve de ser. Mas é mais pelo argumento e capacidade dos actores.

Falando no que realmente interessa, para além do brilhante casting secundário e do muito bom argumento (realço ainda a banda-sonora, que não é nada brilhante mas dá para relembrar a série original), há um senhor que leva o filme quase todo às costas. Esse senhor é Steve Carrell. O grande Steve Carrell. O único Steve Carrell. Sinceramente, não consigo imaginar muitos outros actores que fizessem este papel. E não consigo imaginar nenhum mesmo que o fizesse tão bem. Para além das semelhanças físicas com o actor da série original, Don Adams. As cenas típicas de Steve Carrell a que ele nos foi habituando, a maneira como torna certas falas ditas "banais" em pequenos tesouros e a sua cada vez maior capacidade de nos surpreender tornam-no num dos prováveis candidatos a uma nomeação aos Globos de Ouro. Mas provavelmente, o que mais surpreende no Steve Carrell que se apresenta em Get Smart, é a sua cada vez maior capacidade de liderança de um elenco tão vasto em estrelas. Ao contrário de, por exemplo, Orlando Bloom que, tal como Carrel, teve uma rápida ascenção,e que não conseguiu liderar o elenco em O Reino dos Céus, Carrell parece não mostrar qualquer problema em o fazer neste filme. Depois de Virgem aos 40 e Evan, o Todo o Poderoso terem sido razoáveis (não bons, razoáveis), Carrell mostra aqui grande solidez. E, claro, ninguém se cansa dele.

Fica então o concelho: Se querem um bom filme, não se atrevam a ver Get Smart. Se querem passar um muito bom bocado, façam o favor de correr para as salas de cinema.

PS: Prometo, e faço questão de pôr neste blog um bonito especial sobre a campanha Save Miguel, uma ideia absolutamente brilhante para salvar Miguel, um sobreiro Português (simbólico, claro, a ideia é salvar muitos) no Alentejo, uma vez que já nem o nosso governo parece tentar. E o homem encarregue de salvar Miguel é... Rob. Rob Schneider.

www.savemiguel.com

terça-feira, 12 de agosto de 2008

5 . 10 . 1957 - 9 . 8 . 2008

Foi uma surpresa muito desagradável a que se soube na manhã do dia 10 de Agosto. Bernie Mac, uma das maiores lendas do stand-up comedy mundial, faleceu vitima de pneumonia (que agravou a sua doença de longa data, sarcoidose). Num ano em que já testemunhá-mos muitas perdas no mundo do cinema e do espetáculo, arrisco-me a dizer que esta foi a mais dura.

Peço desculpa pela ausencia. De volta ao activo.