quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

"Son of Rambow" e o cinema em Portugal

Eis o filme do ano (até agora) segundo este estimado, maravilhoso e ausente (peço desculpa) blog.

Ainda não sei se este filme estará disponível em Portugal mas por enquanto não tem data de estreia marcada (nem distribuidores) e, já tendo estreado em Abril (dia 4) no Reino Unido, é de esperar que o filho de Rambo(w) não passe por terras Lusitanas para destruir tudo à sua volta. Assim sendo, já nem é um "bocado" vergonhoso. É muito vergonhoso quando as distribuidoras nacionais estão preocupadas em trazer ao seu publico filmes como "O Crepúsculo", "Saw V", "The Happening" e "Max Payne" e rejeitam um filme que (falo por mim) relembra que qualquer um pode fazer um grande filme com poucos recursos. Porque isso, cinéfilos leitores, é a magia do cinema. Não é por um filme custar milhões de euros que vale a pena ser visto. Se forem milhões de euros bem gastos, tudo bem. Mas todos os exemplos que dei acima custaram realmente milhões de euros cada um e são, desculpem-me os fãs dos ditos filmes, autenticos pedaços de lixo. "Saw V" e "Max Payne" são, obviamente, franchises e, como tal, não podem ser rejeitados pelas distribuidoras (se bem que em ambos os casos nada de nada se perdia. A única coisa que ganhei com "Max Payne" foi uma vontade enorme de partir os CD's do jogo) mas podiam perfeitamente reduzir o número de salas em que estrearam. Pouca gente os viu, de qualquer maneira, tirando "O Crepúsculo", bem sucedido na América (outro público de fast-food convertido ao cinema). E assim, reduzindo número de salas podiam, sei lá... Angariar dinheiro para trazer os filmes verdadeiros a Portugal, como este! Não se pode dar mais a desculpa do lucro porque, admitamos, ele já não existe. Ao passo que se trouxessem filmes destes, gastava-se MUITO menos em direitos, MUITO menos em distribuição e, assim, talvez o LUCRO fosse MAIOR. Iriam menos pessoas ver o filme? Talvez, mas não muitas menos, pelo andar da coisa.

"Son of Rambow" passa-se em Inglaterra, no início da década de 80 e é a história de duas crianças: Lee Carter, um rufia com coração e Will, um rapaz cuja família tenta aprisionar em regras, religião e ordem. A religião da família de Will não o permite ver TV pelo que o rapaz nunca teve a experiencia de ver um filme. Um dia, Lee Carter, que filma os filmes no cinema com uma câmera de mão para vender, mostra-lhe a sua última aquisição: "Rambo - First Blood". Sim! O primeiro filme da saga de John Rambo é o primeiro filme que Will vê. Resultado: Will torna-se no filho de Rambo. Forma então uma história na sua cabeça, escreve-a na Bíblia (uma bela BD, se o posso dizer) e, juntamente com Lee Carter, filma a história para uma disciplina. No entanto, toda a escola começa a notar neles e, às tantas, o filme já conta com um elenco de criançada. O resto, deixo-vos ver, se conseguirem.

Este é, sem dúvida, o género de filmes, feitos com o coração (e muito, muito esforço) que, pessoalmente, me fazem QUERER ver filmes sem sentir que os TENHO de ver. Porque é assim que as coisas são. Hoje em dia, há a política do TENHO que ver este filme e não do QUERO ver este filme. Obviamente que não falo de toda a gente (ou falo?) mas a razão pela qual filmes como o "Crepúsculo" são bem sucedidos é simplesmente porque as pessoas vêm um trailer com um vampiro e um efeitozito digital bem feito e dizem "tenho que ver isto". Não o QUEREM ver, porque nem sabem, em maior parte dos casos, o que raio conta o filme. Mas ei! Tem vampiros, tem espectadores. Tem porrada, tem espectadores. "Son of Rambow", corre o risco de ser um novo "Hot Fuzz", que só estreou em Portugal porque o grande Nuno Markl pôs um pé à frente e, em nome do cinema, organizou todo um movimento de fãs que permitiram umas duas ou três exibições em Portugal. E não, não digo duas ou três como "forma de expressão". Foram, literalmente, umas duas ou três. Filmes como "Hott Fuzz" e "Shaun of the Dead" são maus? Não... São simplesmente geniais. Mas isso já não parece querer dizer nada. Não são as produtoras que estão erradas, elas fazem o possível para lucrar. Mas se nós vissemos filmes bons, elas provavelmente faziam filmes bons. É só uma opinião.

Tenho a certeza que metade de vocês não vai querer saber do filme e que metade dos que querem ver, não vão tentar. E metade dos que vão tentar, não vão conseguir (e sem culpa nenhuma). Porque é preciso querer ver. Não só esperar sentados que ele se mostre porque, meus amigos, hoje em dia, isso não serve de nada.

2 comentários:

FIGM disse...

Segundo o cinema ptgate,tem data prevista pra estrear dia 18 ainda deste mês pela Zon lusomundo pah!

Vitor Carvalho disse...

já tinha lido isso mas os sites oficiais não têm ainda publicada nenhuma data oficial. E entretanto já saiu em dvd no Reino Unido. Mas se se confirmar a estreia, ainda bem. Esperemos que não estreie só no São Jorge ou coisa que o valha.